terça-feira, 27 de setembro de 2016

5 MINUTOS


Por: Hermes Gregorio


Enquanto eu escrevo estas palavras vou lembrando de leituras que fiz dias atrás. Numa delas li uma frase interessante e que nos remete a uma profunda reflexão, dependendo do quanto cada pessoa se aprofunda em reflexões (um tipo de mergulho sensacional).

A frase surgia no meio de um texto sobre Comunicação e Teorias do Jornalismo e possuia as seguintes palavras:

“...a cultura é a língua que une a humanidade” (Zinchenko, 1990)

Perplexo, mas nem tanto, fiquei a pensar. Não pensei muito porque o café estava prestes a fechar as portas (já passada das 6 da tarde).

Fiquei com aquilo na cabeça. Pensei sobre as culturas diferentes entre povos, países, cidades e até pessoas. 

Tantas diferenças que podem unir e separar. Elas unem quando passamos a entender e respeitar as diferenças. Elas separam quando surge a intolerância e o desrespeito pela cultura alheia.

A humanidade precisa se unir mais e essa união será independente da cultura de cada um, pois o respeito deve ser intrínseco. O fato de sermos humanos nos torna iguais, a cultura é apenas um padrão de reconhecimento. A cultura pode ajudar a mantermos nossas raízes, a complementar nosso modo de interpretar o cotidiano e nos faz seres autônomos dentro de um contexto.

A cultura, dita aqui, é aquela abrangente, aquela que caracteriza um povo ou grupo de indivíduos. Difícil dar exemplos. Não, não é tão difícil assim. 

Engraçado como algo que difere tanto as pessoas possa ser a "língua que une a humanidade". Uma espécie de Esperanto, aquela língua que não deu certo.

Somos humanos, iguais, mas com culturas diferentes. Estas diferenças são constatações e nunca serão efêmeras. As culturas dos povos serão eternas e devem ser o elo que unem toda a humanidade. 

Depois de expessar estes breves pensamentos, olhei para o relógio e falei comigo mesmo: "Preciso voltar a ler o que estava lendo. Meus devaneios precisam parar por aqui..."


Estes pensamentos estão incompletos. Devo voltar a problematizar tudo isso num outro lapso do tempo....


           Abraço//////


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

REBOOT MENTAL

                                                       (Pensamentos randômicos de Hermes)

      Já ouvimos falar em reboot. Na linguagem da informática reboot é a reinicialização do sistema operacional para resolver algum conflito ou erro. Pensei nesta palavra quando filosofava sobre os dias atuais. Enquanto eu fazia uma análise do mundo ao redor percebia que eu precisava repensar conceitos, idiossincrasias e tudo que vinha acontecendo. Eu precisava de um reboot, um reboot mental. Uma reinicialização da consciência para resolver os conflitos mentais. 
     Na verdade, reboot mental é o que todos nós, humanos do século XXI, mais precisamos agora. Vivemos o advento da superinformação, das tecnologias a nosso dispor vinte e quatro horas por dia e esquecemos de pensar a grande maioria de nossas atitudes e comportamentos. Tudo está no piloto automático. Nas redes sociais somos bombardeados por conteúdos improdutivos, preconceituosos, intolerantes e com veracidade duvidosa. Sim, você pode filtrar tudo isso, mas muitas vezes ainda é inevitável que você se depare com alguém compartilhando algum tipo de absurdo ou apologia ao ódio. O uso consciente das tecnologias está longe de sua plenitude e o que vemos são os vazios intelectuais na tela do celular. A prática de pensar, raciocinar, discernir sobre os fatos deixou de existir.  
     O nosso cotidiano é uma recorrente tentativa de se obter respeito e educação do próximo, muitas vezes em vão. O egoísmo toma conta de todos. Isso é visível no trânsito, no ambiente de trabalho, nas escolas e no mundo ao seu redor. O bom senso é joia rara e o que era sutil torna-se vulgar. A poesia dá lugar ao escracho.
    Diante deste caleidoscópio subversivo devemos rever nossos pensamentos, nossas atitudes e refletir sobre nossas vidas. Precisam de um reboot mental todos aqueles que ainda não pensaram sobre o que é fazer um mundo melhor. John Lennon dizia: “pense globalmente, atue localmente”. É partindo do singular que chegaremos num universal, ou se preferir, posso usar aquele velho clichê batido do “se cada um fizer a sua parte teremos uma sociedade melhor”.

     O autoquestionamento é uma forma de resolver conflitos. Pense antes de fazer um comentário, de julgar ou de fazer um post. Olhe ao seu redor, seja o protagonista dos seus pensamentos, desative o automático e não esqueça do reboot mental.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O RETORNO (DE ALGUÉM QUE NUNCA FOI)

Por que o nome deste post é "O Retorno"?


Talvez pelo simples e honesto fato de eu estar aqui, depois de ficar longe do blog. Depois de ficar distante do Randômico Literário que tanto fazia meus neurônios entrarem em ebulição criativa.

Hoje, no café que aqui estou, ouvi uma pessoa perguntando sobre a função "Random" do aparelho de som que faz a trilha sonora do lugar. Eu disse que "sim, esta função faz as músicas que estão no pen drive tocarem de forma aleatória", O aleatório é mais bacana. O fator surpresa de uma playlist é o que nos faz sair da rotina sonora de estar ouvindo sempre o mesmo. Se os acontecimentos se repetirem sempre da mesma forma ficamos entediados.

 Assim como a nossa vida, que tem momentos aleatórios e prazeres literários, quero aqui prover conteúdo que te faça refletir, mesmo que seu pensamento seja aleatório ou literário.

Vamos, juntos, seguir o fluxo da consciência e quebrar paradigmas (mesmo que seja clichê!)

Então "O Retorno" é este! 

acompanhe quando puder... as palavras estarão aqui esperando por você!


domingo, 29 de setembro de 2013

A CONCEPÇÃO DO BARULHO (Uma análise sobre "IN UTERO" do NIRVANA)


Ainda lembro quando, há exatos 20 anos, comprei o disco de vinil mais barulhento da banda que cuspiu o mainstream depois de mastigá-lo. Em setembro de 1993 o Nirvana lançava “In Utero”, um álbum intenso e com alto teor de barulho (premissa básica do gênero grunge).

A primeira audição foi inesquecível e surpreendente. Não era o Nirvana de Nevermind, era melhor. A música crua e sem muita produção de In Utero fez do Nirvana aquela banda que muitos gostariam de torcer o nariz, mas não o fazem por respeito ou simplesmente pela sonoridade única que o álbum carrega ao longo das doze faixas. “Serve the Servants” dá início à sessão de verborragia musical com a sinceridade de um Kurt Cobain desconcertante.

Enquanto “Scentless Apprentice” é pura rebeldia juvenil, temos em “Heart-Shaped Box” a melodia soturna de Cobain num refrão em que ele reclama por estar eternamente em débito por um inestimável conselho. Microfonias e ruídos são como tempero num álbum que considero totalmente fora do eixo. Solos improvisados que nunca se repetiriam numa apresentação ao vivo da banda estão lá em In Utero. A autenticidade e a atitude de um Nirvana visceral e despretensioso estão impressos no último álbum de estúdio dos garotos de Seattle. Mesmo com tanto barulho, há espaço para baladas como “Dumb”, mais acústica e com direito a violoncelo, e a ruidosa “Pennyroyal Tea”.

O álbum termina com “All Apologies”, uma das melhores faixas do álbum. E, como diz o título da faixa, todas as desculpas são aceitáveis pelos erros da banda que foi o divisor de águas do rock dos anos 90, que andava um pouco sem graça. In Utero pode ser considerado um clássico contemporâneo de uma geração inconformada com o status quo da música. A irreverência e a quebra de protocolos foram os ingredientes do Nirvana para uma carreira meteórica e cheia de atitudes politicamente incorretas. Os gritos de Kurt Cobain ecoam até hoje nos fones de ouvido de toda uma geração, sem soar datado pelo tempo e sem comparações. Eles eram originais e únicos no barulho que faziam. Era o grunge na sua essência, a concepção do barulho.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

FRASES (FRAGMENTOS DE PENSAMENTOS)

Ao som de Coldplay escrevo esta crônica sobre palavras que nos trazem sentido (ou significado). Estou me referindo a um pequeno conjunto de palavras que, normalmente, são proferidas por algum sábio filósofo, um renomado escritor ou até mesmo um cidadão qualquer e que traz consigo um ensinamento: A Frase. O dicionário diz que frase é “um grupo de palavras que concorre para exprimir uma ideia ou conjunto de ideias”, porém ela vai mais além deste conceito. A frase pode resumir em poucas palavras muitos sentimentos, pode traduzir o humor do seu autor ao leitor e transmitir mais do que simples ideias. Todo mundo tem uma queda por frases, aquelas palavras escritas de uma forma singular e que nos fazem pensar, pensar, pensar... Hoje podemos compartilhar as frases que curtimos pelas redes sociais e fazer com que muitas pessoas conheçam um pouco de autores que antes não estavam ao seu alcance (a tecnologia a serviço da sabedoria). Nós humanos somos movidos por palavras e queremos que elas nos deixem algo de bom e nos façam, cada vez mais, visualizar o que a vida tem de épico para nós. Como se a felicidade viesse numa frase de Carlos Drummond de Andrade que diz que “ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade” ao mesmo tempo em que Chico Xavier nos acalma dizendo que “não há problema que não possa ser solucionado pela paciência”. Elas estão por toda parte: em panfletos, nas folhas de uma agenda, no biscoito da sorte, no perfil de redes sociais de uma pessoa ou até mesmo naqueles bancos da Praia do Itaguaçu. As frases convivem conosco assim como seus autores vivos ou que já foram para outra dimensão. Os pensamentos célebres serão eternos e eles ficam eternizados no que chamamos de frases. Se você não tem o hábito de ler estes conjuntos de palavras que sempre nos dizem algo, tente praticar esta incrível função dos seus olhos. Veja, leia, pense e medite sobre o que foi lido. São os pequenos detalhes que nos levam à grandiosidade da vida (pensamento profundo escrito por mim, um cidadão qualquer). Um beatlemaníaco como eu não poderia deixar de trazer a este momento literário algumas frases de John Lennon, um revolucionário do seu tempo e dos dias de hoje (suas ideias permanecem perturbando o nosso modo medíocre de pensar). Tem uma que ele diz que “quando fizeres algo nobre e belo e ninguém notar, não fique triste. Pois o sol toda manhã faz um lindo espetáculo e, no entanto, a maioria da platéia ainda dorme”. A melhor de todas é a sua sublime tradução do que é a vida: “A vida é o que lhe acontece, enquanto você está ocupado fazendo outros planos”. Então vamos continuar fazendo outros planos enquanto a vida acontece. Se a vida acontecer e nos deixar frases, com certeza será uma experiência incrível. Agora o que me resta é o fim de uma breve crônica sobre a tentativa de entender as frases. Entender não é necessário, mas sim meditar sobre a mensagem transmitida. Que as frases nos tragam uma salvação poética neste mundo tão pragmático e nos façam perceber o quão simples é a vida. Enquanto penso em terminar o fluxo da consciência transmitido até agora para o papel, o Coldplay continua proferindo suas frases em forma de música. “Viva La Vida”.

domingo, 14 de julho de 2013

Midnight Oil entre o Sol e a Lua



             Entre tantos álbuns dos australianos do Midnight Oil escolhi este de 1993, intitulado EARTH AND SUN AND MOON para servir de trilha para uma viagem mental sentado no meu sofá. A Terra e o Sol e a Lua seriam meus companheiros enquanto as faixas do 9º álbum dos Oils tocavam no fone de ouvido. A primeira “Feeding Frenzy” começa com um baixo com ares de suspense convidando a ligar o carro na auto-estrada e seguir em direção a um horizonte sem nome. A voz inconfundível de Peter Garret te faz saber que é Midnight Oil com seu rock ativista, enquanto o Sol começa sua peregrinação rumo ao firmamento. Um dos hits do álbum chega na segunda posição do player com uma introdução apoteótica e um refrão pegajoso (“My country / right or wrong”). É em “My Country” que está o início da energia do álbum. A viagem segue com “Renaissance Man” com guitarras distorcidas em um rock bem trabalhado com direito a um solo no final. A faixa-título inicia como um hino de gratidão à natureza para iluminar a viagem. À minha frente vejo a estrada cheia de poeira e poesia (“A Terra o Sol e a lua/ tribo humana / Uma fina linha azul”). O teclado da faixa-título encerra e seu som emenda com a guitarra de “Truganini”, uma narrativa sobre a última aborígene pura da Tasmânia que lutou pela sua tribo até morrer em 1876. Em Truganini também está de volta a famosa gaita de boca da banda. A viagem segue com o Sol escaldante acompanhando, como um fogo acima da paralelas do asfalto fazendo da trilha sonora a crônica perfeita de uma viagem sem destino. Em “Drums Of Heaven”, como diz o nome, podemos ouvir os tambores do paraíso...as guitarras também são, dizem os espíritos aborígenes. Montanhas e um pouco de vegetação árida surgem no caminho e Garret canta o colapso do amor e um mundo desabando em “Outbreak Of Love”. Uma carga de amor e imponência faz desta música a melhor do álbum, em minha opinião, e o Sol que era o companheiro até aqui está planejando uma fuga pelo horizonte. Os violões épicos de “In The Valley” anunciam a Lua elevando seu brilho no vale. O som do Midnight Oil consegue ser transcendental e melódico, ao mesmo tempo em que conta uma verdade em suas letras. A sintonia entre o rock e a natureza, a combinação entre guitarras, Lua e Sol nunca foram tão bem feitas como no álbum EARTH AND SUN AND MOON. A viagem agora está sob o comando da Lua. É ela que me orienta a encerrar os pensamentos e a relaxar perto de uma fogueira enquanto o álbum termina na terra do agora ou nunca com a última faixa “Now Or NeverLand”. A impressão que fica deste álbum é que a Lua e o Sol conduziram um MIDNIGHT OIL inspirado e a Terra trouxe a natureza para fazer companhia. A viagem que era fruto de minha imaginação materializou-se em transcritos para a eternidade, graças à TERRA E A LUA E O SOL do MIDNIGHT OIL.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

DISCOTECA BÁSICA: Clássicos do Rock'N'Roll

              

A experiência de Hendrix   
                   Jimi Hendrix foi um dos músicos da famosa lista dos que morreram aos 27 anos.  Foi considerado um dos maiores guitarristas da sua era e precursor de um estilo que usa a microfonia como recurso sonoro, além de ser um dos primeiros a experimentar a estereofonia e phasing em gravações de rock. Foi a partir da arte de experimentar que Hendrix estreou em alto e bom som com o álbum “Are You Experienced?” e sua banda The Jimi Hendrix Experience. Um álbum visceral que faz ode ao barulho do rock’n’roll. De início temos a faixa “Foxy Lady” e um  Hendrix amoroso e perverso ao mesmo tempo. O ritmo frenético de “Manic Depression” com guitarras e bateria intensas do começo ao fim fazem de Hendrix um experiente guitarrista, daqueles que sabe dominar os riffs e acordes sem medo. A alma rock dá espaço ao blues sujo e obscuro de “Red House” que nos remete àqueles bares cheios de fumaça e cerveja barata.  Em cada faixa do álbum a psicodelia fala mais alto, entre ecos de guitarras e vocais berrando por liberdade numa década de grandes transformações. O que seria um prelúdio do grunge também é o dilema “amor ou confusão” na faixa “Love Or Confusion”, cuja sonoridade deixa explícita a escolha de Hendrix pela confusão. Jimi Hendrix foi o guitarrista mais ousado dos ousados, chegando ao ponto de atear fogo numa Fender Stratocaster em pleno palco.
                   A faixa “May This Be Love” é o que pode ser chamado de suavidade nas guitarras entre tantas músicas barulhentas do álbum. Já a faixa título “Are You Experienced?” traz à tona um Hendrix convidativo a novas experiências, com guitarras conduzindo os pensamentos a uma viagem psicodélica de 4 minutos. Não podemos deixar de fora a névoa púrpura de “Purple Haze” com um dos riffs mais famosos do rock’n’roll. As 17 faixas que compõem “Are You Experienced?” são a proclamação de que este álbum de Hendrix e sua experiência merecem estar entre os 100 maiores do rock’n’roll.  
                                                                                     Aquele abraço Rock'N'Roll

Hermes Gregório