domingo, 14 de julho de 2013

Midnight Oil entre o Sol e a Lua



             Entre tantos álbuns dos australianos do Midnight Oil escolhi este de 1993, intitulado EARTH AND SUN AND MOON para servir de trilha para uma viagem mental sentado no meu sofá. A Terra e o Sol e a Lua seriam meus companheiros enquanto as faixas do 9º álbum dos Oils tocavam no fone de ouvido. A primeira “Feeding Frenzy” começa com um baixo com ares de suspense convidando a ligar o carro na auto-estrada e seguir em direção a um horizonte sem nome. A voz inconfundível de Peter Garret te faz saber que é Midnight Oil com seu rock ativista, enquanto o Sol começa sua peregrinação rumo ao firmamento. Um dos hits do álbum chega na segunda posição do player com uma introdução apoteótica e um refrão pegajoso (“My country / right or wrong”). É em “My Country” que está o início da energia do álbum. A viagem segue com “Renaissance Man” com guitarras distorcidas em um rock bem trabalhado com direito a um solo no final. A faixa-título inicia como um hino de gratidão à natureza para iluminar a viagem. À minha frente vejo a estrada cheia de poeira e poesia (“A Terra o Sol e a lua/ tribo humana / Uma fina linha azul”). O teclado da faixa-título encerra e seu som emenda com a guitarra de “Truganini”, uma narrativa sobre a última aborígene pura da Tasmânia que lutou pela sua tribo até morrer em 1876. Em Truganini também está de volta a famosa gaita de boca da banda. A viagem segue com o Sol escaldante acompanhando, como um fogo acima da paralelas do asfalto fazendo da trilha sonora a crônica perfeita de uma viagem sem destino. Em “Drums Of Heaven”, como diz o nome, podemos ouvir os tambores do paraíso...as guitarras também são, dizem os espíritos aborígenes. Montanhas e um pouco de vegetação árida surgem no caminho e Garret canta o colapso do amor e um mundo desabando em “Outbreak Of Love”. Uma carga de amor e imponência faz desta música a melhor do álbum, em minha opinião, e o Sol que era o companheiro até aqui está planejando uma fuga pelo horizonte. Os violões épicos de “In The Valley” anunciam a Lua elevando seu brilho no vale. O som do Midnight Oil consegue ser transcendental e melódico, ao mesmo tempo em que conta uma verdade em suas letras. A sintonia entre o rock e a natureza, a combinação entre guitarras, Lua e Sol nunca foram tão bem feitas como no álbum EARTH AND SUN AND MOON. A viagem agora está sob o comando da Lua. É ela que me orienta a encerrar os pensamentos e a relaxar perto de uma fogueira enquanto o álbum termina na terra do agora ou nunca com a última faixa “Now Or NeverLand”. A impressão que fica deste álbum é que a Lua e o Sol conduziram um MIDNIGHT OIL inspirado e a Terra trouxe a natureza para fazer companhia. A viagem que era fruto de minha imaginação materializou-se em transcritos para a eternidade, graças à TERRA E A LUA E O SOL do MIDNIGHT OIL.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

DISCOTECA BÁSICA: Clássicos do Rock'N'Roll

              

A experiência de Hendrix   
                   Jimi Hendrix foi um dos músicos da famosa lista dos que morreram aos 27 anos.  Foi considerado um dos maiores guitarristas da sua era e precursor de um estilo que usa a microfonia como recurso sonoro, além de ser um dos primeiros a experimentar a estereofonia e phasing em gravações de rock. Foi a partir da arte de experimentar que Hendrix estreou em alto e bom som com o álbum “Are You Experienced?” e sua banda The Jimi Hendrix Experience. Um álbum visceral que faz ode ao barulho do rock’n’roll. De início temos a faixa “Foxy Lady” e um  Hendrix amoroso e perverso ao mesmo tempo. O ritmo frenético de “Manic Depression” com guitarras e bateria intensas do começo ao fim fazem de Hendrix um experiente guitarrista, daqueles que sabe dominar os riffs e acordes sem medo. A alma rock dá espaço ao blues sujo e obscuro de “Red House” que nos remete àqueles bares cheios de fumaça e cerveja barata.  Em cada faixa do álbum a psicodelia fala mais alto, entre ecos de guitarras e vocais berrando por liberdade numa década de grandes transformações. O que seria um prelúdio do grunge também é o dilema “amor ou confusão” na faixa “Love Or Confusion”, cuja sonoridade deixa explícita a escolha de Hendrix pela confusão. Jimi Hendrix foi o guitarrista mais ousado dos ousados, chegando ao ponto de atear fogo numa Fender Stratocaster em pleno palco.
                   A faixa “May This Be Love” é o que pode ser chamado de suavidade nas guitarras entre tantas músicas barulhentas do álbum. Já a faixa título “Are You Experienced?” traz à tona um Hendrix convidativo a novas experiências, com guitarras conduzindo os pensamentos a uma viagem psicodélica de 4 minutos. Não podemos deixar de fora a névoa púrpura de “Purple Haze” com um dos riffs mais famosos do rock’n’roll. As 17 faixas que compõem “Are You Experienced?” são a proclamação de que este álbum de Hendrix e sua experiência merecem estar entre os 100 maiores do rock’n’roll.  
                                                                                     Aquele abraço Rock'N'Roll

Hermes Gregório