sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O ESPÍRITO DA ÉTICA


        O livro de Leonardo Boff ESPIRITUALIDADE – Um caminho de transformação (Ed. Sextante) aborda o tema da espiritualidade e a busca dela nos dias de hoje. Ele faz reflexões sobre como a humanidade tem procurado a espiritualidade como salvação para pensamentos aflitos e dramáticos, provocados por mitos como exterminação da espécie humana, ameaça do futuro e da extinção da Terra. Na verdade, a espiritualidade é algo intrínseco e que se manifesta nas pessoas que têm o sentido da solidariedade e cultivam o sagrado. Quantas vezes já ouvimos falar em pessoas “espirituosas’? Estas pessoas sempre estão ajudando outras e possuem uma benevolência que contagia. Isto é a espiritualidade, longe de ser algo restrito ao mundo religioso.
No capítulo 2, Boff cita Dalai-Lama que responde de forma categórica que “espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior”. Boff complementa dizendo que “o ser humano é um ser de mudanças, pois nunca está pronto, está sempre se fazendo, física, psíquica, social e culturalmente”. Estou sempre em mutação e o mundo à minha volta também. Por isso devo estar espiritualmente preparado para estas mudanças. Ser espiritual é ser ético, ser desapegado dos valores materiais e mundanos que interferem em nossa consciência e nossa visão de mundo. O autor faz a relação da prática espiritual com a prática ética. Ambas transformam e aperfeiçoam o estado geral do coração e da mente. Desta forma nos tornamos pessoas melhores.
Ele também faz a distinção e a relação entre espiritualidade e religião, usando uma citação de Dalai-Lama:

Julgo que religião esteja relacionada com a crença no direito à salvação pregada por qualquer tradição de fé, crença esta que tem como um de seus principais aspectos a aceitação de alguma forma de realidade metafísica ou sobrenatural, incluindo possivelmente uma idéia de paraíso ou nirvana. Associados a isso estão ensinamentos ou dogmas religiosos, rituais, orações e assim por diante. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano – tais como amor e compaixão, paciência e tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia – que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros. Ritual e oração, com as questões de nirvana e salvação, estão diretamente ligados à fé religiosa, mas essas qualidades interiores não precisam ter a mesma ligação. Não existe portanto nenhuma razão pela qual um indivíduo não possa desenvolvê-las, até mesmo em alto grau, sem recorrer a qualquer sistema religioso ou metafísico.

Com esta exposição de Dalai-Lama a distinção entre espiritualidade e religião fica de fácil entendimento. Boff complementa que as religiões fornecem uma visão sobre Deus e são fontes de ética, de práticas comportamentais que visam o amor uns aos outros, porém não são essencialmente a espiritualidade.
Em contrapartida o autor descreve as religiões como “uma das construções de maior excelência do ser humano”. Elas trabalham com o divino, com o espiritual, mas não são o espiritual.
Grandes nomes que representam a espiritualidade como Buda, Jesus Cristo, Isaías, Luther King e Ghandi são citados na obra sendo pessoas carismáticas e que foram em busca dos mistérios do Ser e que manifestaram uma mudança interior. Estas sim são pessoas “espirituosas” e que conseguiram compreender o sentido da espiritualidade.
O espírito da Ética é a espiritualidade, é ser solidário, buscar o correto num mundo de tantas injustiças. O espírito deve manifestar-se em cada um de nós, provocando a mudança interior que vai nos levar a um sentido espiritual das coisas, a um sentido Ético de tudo o que nos permeia. Os ensinamentos de Leonardo Boff são como luzes que iluminam um caminho que nós não trilhamos ainda por não termos dado conta de que este caminho está dentro de nós, um caminho de transformação. O caminho da ESPIRITUALIDADE.
Boff traz a espiritualidade para o mundo contemporâneo, para este mundo cheio de superinformação, que esquece de olhar para dentro de si e entender o quão ético seria se cada um vivesse intensamente a espiritualidade.
O último parágrafo da obra resume tudo o que falei até aqui sobre a espiritualidade de Boff:
    
Se reservarmos em nossa vida um pouco de espaço para essa espiritualidade, ela vai nos transformando, pois este é o condão da espiritualidade: produzir uma transformação interior. Essa transformação acenderá nossa chama interior que produz luz e calor e nos dá mil razões para vivermos como humanos. Assim, caminharemos serenos neste mundo, com outros e na mesma direção que aponta para a Fonte de abundância permanente de vida e de eternidade. E mergulharemos nessa Fonte de espiritualidade, que é Fonte de espírito, de vida, de amorosidade, de realização e de paz.

 Esta é a espiritualidade que precisamos manifestar, este é o espírito da Ética que precisamos praticar. Com a leitura desta obra do pensador Leonardo Boff o sentimento profundo da espiritualidade fica mais acessível e iluminado aos olhos daqueles que buscam a plenitude longe de suas consciências.
Espiritual é ético, é divino, é a obediência ao não-obrigatório.



“Seja a mudança que você quer ver no mundo”

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Filosofando Lenine - PARTE I


"Eu sei de todo caminho que andei
Sou feito de barro batido e berro
Sempre topei com madeira de lei
A ciência já me fez cupim de ferro"


Com este trecho da música "Cupim de Ferro" de Lenine começo este texto. O contexto de tudo é sempre uma boa ideia nas narrativas, então estava eu no trânsito inerte de Florianópolis numa tarde de um dia qualquer. O sol tentava ultrapassar as nuvens de uma forma um tanto tímida e eu ali, perto do asfalto. 

Fiquei paralisado, meditando, enquanto os metros eram eternos durante o deslocamento. Pensei por muitos minutos no que Lenine quis dizer com "eu sei de todo caminho que andei". Numa provável confissão de uma longa e difícil jornada até aqui, Lenine conhece suas dificuldades, suas superações e todo o seu passado, enquanto anda pela vida pós-moderna, que cada vez mais faz dos grandes nomes da música seres invisíveis no mainstream.

Saber do caminho que percorreu é essencial para se projetar um futuro, mesmo que o futuro seja uma dose com alto teor do imprevisível.
São muitos clichês sobre esse papo de percorrer caminho. Por que tantos clichês se os caminhos não são iguais? Nada é padronizado, tudo é subjetivo.

Enquanto Lenine é sabedor de seu caminho, fico aqui a questionar a estrada. Melhor questionar, contestar, investigar todo o percurso. Mesmo que isso soe paranóia.

Antes de eu ficar paranóico por aqui, deixo as palavras e o verso seguinte para a Parte II

Te vejo em breve!


hErMeS

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Só Um Momento (Por Favor)


O que é um momento?

Talvez seja esse minuto que acontece no relógio e que você fica parado - INÉRCIA

Momento pode ser uma lembrança, um lapso do passado - NOSTALGIA

Momento não pode ser nada além de um momento - AGORA

Agora é hora de fazer algo, de pensar algo - MOMENTO

É muito complexo falar de algo tão subjetivo. Mas a vida objetiva é cansativa, porém necessária.

Fico pensando nas palavras, pensando no que escrever e percebo que perdi o momento.

O minuto que acontece no rélógio...mas meu relógio está atrasado. Vou mandar para o conserto...

Mas, afinal, o que é um MOMENTO?

abraço

3MeGiStO


terça-feira, 27 de setembro de 2016

5 MINUTOS


Por: Hermes Gregorio


Enquanto eu escrevo estas palavras vou lembrando de leituras que fiz dias atrás. Numa delas li uma frase interessante e que nos remete a uma profunda reflexão, dependendo do quanto cada pessoa se aprofunda em reflexões (um tipo de mergulho sensacional).

A frase surgia no meio de um texto sobre Comunicação e Teorias do Jornalismo e possuia as seguintes palavras:

“...a cultura é a língua que une a humanidade” (Zinchenko, 1990)

Perplexo, mas nem tanto, fiquei a pensar. Não pensei muito porque o café estava prestes a fechar as portas (já passada das 6 da tarde).

Fiquei com aquilo na cabeça. Pensei sobre as culturas diferentes entre povos, países, cidades e até pessoas. 

Tantas diferenças que podem unir e separar. Elas unem quando passamos a entender e respeitar as diferenças. Elas separam quando surge a intolerância e o desrespeito pela cultura alheia.

A humanidade precisa se unir mais e essa união será independente da cultura de cada um, pois o respeito deve ser intrínseco. O fato de sermos humanos nos torna iguais, a cultura é apenas um padrão de reconhecimento. A cultura pode ajudar a mantermos nossas raízes, a complementar nosso modo de interpretar o cotidiano e nos faz seres autônomos dentro de um contexto.

A cultura, dita aqui, é aquela abrangente, aquela que caracteriza um povo ou grupo de indivíduos. Difícil dar exemplos. Não, não é tão difícil assim. 

Engraçado como algo que difere tanto as pessoas possa ser a "língua que une a humanidade". Uma espécie de Esperanto, aquela língua que não deu certo.

Somos humanos, iguais, mas com culturas diferentes. Estas diferenças são constatações e nunca serão efêmeras. As culturas dos povos serão eternas e devem ser o elo que unem toda a humanidade. 

Depois de expessar estes breves pensamentos, olhei para o relógio e falei comigo mesmo: "Preciso voltar a ler o que estava lendo. Meus devaneios precisam parar por aqui..."


Estes pensamentos estão incompletos. Devo voltar a problematizar tudo isso num outro lapso do tempo....


           Abraço//////


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

REBOOT MENTAL

                                                       (Pensamentos randômicos de Hermes)

      Já ouvimos falar em reboot. Na linguagem da informática reboot é a reinicialização do sistema operacional para resolver algum conflito ou erro. Pensei nesta palavra quando filosofava sobre os dias atuais. Enquanto eu fazia uma análise do mundo ao redor percebia que eu precisava repensar conceitos, idiossincrasias e tudo que vinha acontecendo. Eu precisava de um reboot, um reboot mental. Uma reinicialização da consciência para resolver os conflitos mentais. 
     Na verdade, reboot mental é o que todos nós, humanos do século XXI, mais precisamos agora. Vivemos o advento da superinformação, das tecnologias a nosso dispor vinte e quatro horas por dia e esquecemos de pensar a grande maioria de nossas atitudes e comportamentos. Tudo está no piloto automático. Nas redes sociais somos bombardeados por conteúdos improdutivos, preconceituosos, intolerantes e com veracidade duvidosa. Sim, você pode filtrar tudo isso, mas muitas vezes ainda é inevitável que você se depare com alguém compartilhando algum tipo de absurdo ou apologia ao ódio. O uso consciente das tecnologias está longe de sua plenitude e o que vemos são os vazios intelectuais na tela do celular. A prática de pensar, raciocinar, discernir sobre os fatos deixou de existir.  
     O nosso cotidiano é uma recorrente tentativa de se obter respeito e educação do próximo, muitas vezes em vão. O egoísmo toma conta de todos. Isso é visível no trânsito, no ambiente de trabalho, nas escolas e no mundo ao seu redor. O bom senso é joia rara e o que era sutil torna-se vulgar. A poesia dá lugar ao escracho.
    Diante deste caleidoscópio subversivo devemos rever nossos pensamentos, nossas atitudes e refletir sobre nossas vidas. Precisam de um reboot mental todos aqueles que ainda não pensaram sobre o que é fazer um mundo melhor. John Lennon dizia: “pense globalmente, atue localmente”. É partindo do singular que chegaremos num universal, ou se preferir, posso usar aquele velho clichê batido do “se cada um fizer a sua parte teremos uma sociedade melhor”.

     O autoquestionamento é uma forma de resolver conflitos. Pense antes de fazer um comentário, de julgar ou de fazer um post. Olhe ao seu redor, seja o protagonista dos seus pensamentos, desative o automático e não esqueça do reboot mental.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O RETORNO (DE ALGUÉM QUE NUNCA FOI)

Por que o nome deste post é "O Retorno"?


Talvez pelo simples e honesto fato de eu estar aqui, depois de ficar longe do blog. Depois de ficar distante do Randômico Literário que tanto fazia meus neurônios entrarem em ebulição criativa.

Hoje, no café que aqui estou, ouvi uma pessoa perguntando sobre a função "Random" do aparelho de som que faz a trilha sonora do lugar. Eu disse que "sim, esta função faz as músicas que estão no pen drive tocarem de forma aleatória", O aleatório é mais bacana. O fator surpresa de uma playlist é o que nos faz sair da rotina sonora de estar ouvindo sempre o mesmo. Se os acontecimentos se repetirem sempre da mesma forma ficamos entediados.

 Assim como a nossa vida, que tem momentos aleatórios e prazeres literários, quero aqui prover conteúdo que te faça refletir, mesmo que seu pensamento seja aleatório ou literário.

Vamos, juntos, seguir o fluxo da consciência e quebrar paradigmas (mesmo que seja clichê!)

Então "O Retorno" é este! 

acompanhe quando puder... as palavras estarão aqui esperando por você!