segunda-feira, 10 de junho de 2013

DISCOTECA BÁSICA - Clássicos da música, noites de sábado e vinho tinto

----- O velho Dylan e sua folk-music -----

                Dia desses, revirando minha coleção de CD’s, me deparei com o álbum “Desire” do grande Bob Dylan. Resolvi apreciar cada faixa como um enólogo aprecia o vinho. A audição de “Desire” nos remete a um tempo/espaço que fica longe de toda essa modernidade, nos deixa suscetíveis ao que há de melhor para os ouvidos e alcança a perfeição de uma forma sublime e agradável. O poeta Robert Allen Zimmerman (nome verdadeiro de Bob Dylan) faz a autêntica folk-music e inicia o álbum com a vibrante música de longa-metragem chamada “Hurricane”, uma épica narrativa sobre Rubin Carter, um boxeador negro preso injustamente. A leveza de “Isis” com seu violino melancólico deixa sua sonoridade fixada na mente, enquanto “One More Cup Of Coffee” traz sua verve romântica com os vocais de apoio de Emmylou Harris. Gaita e violino juntos em “Oh, Sister” nos transportam a uma floresta, sentados ao redor de uma fogueira numa noite fria, esperando pelo amanhecer. “Desire” é um álbum bucólico e despretensioso, feito para se ouvir com o coração e acompanhado de uma taça de vinho. Dylan é o poeta de frases quilomêtricas quando faz de 11 minutos uma canção com a história de “Joey”, um anti-herói que lia Nietzsche e Wilhelm Reich na prisão. O álbum continua sua atmosfera de sonoridade rústica com “Romance In Durango” e “Black Diamond Bay” e encerra com uma dedicatória de Dylan a sua esposa em “Sara”. Bob Dylan, mais do que um poeta, é o grande cronista que faz da música uma coleção de narrativas inseridas em arranjos instrumentais de alta fidelidade. Apreciar Bob Dylan de 1976 é como apreciar um Cabernet Sauvignon da melhor safra.

                                              Bob Dylan: poesia e simplicidade para bons momentos

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